Quem nunca ouviu falar sobre o dente do siso? Ele é também chamado de terceiro molar e é conhecido popularmente como “dente do juízo” por coincidentemente nascer, na maioria das vezes, na adolescência.

Alessandro Silva, mestre e especialista em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial pela UNICAMP, doutor em Cirurgia e Traumatologia BMF pela USP, e diretor da Interclin, explica que o dente do siso, também chamado tecnicamente de terceiro molar, é o último dente a erupcionar (ou aparecer) na boca.

“Geralmente estes dentes sofrem sua erupção por volta dos 17 aos 25 anos de idade. Normalmente, aparecem em uma idade que tem sido chamada de ‘Idade do Juízo’. Por isso são popularmente conhecidos como ‘dentes do juízo’”, comenta.

O profissional destaca que, salvo algumas exceções, a maioria das pessoas apresenta 4 terceiros molares (ou dentes do siso): dois superiores, sendo um direito e um esquerdo, e dois inferiores, também direito e esquerdo. “No caso das exceções, alguns pacientes podem apresentar ausência de um, dois ou até mesmo de todos os terceiros molares”, diz Silva.

O cirurgião buco-maxilo-facial explica ainda que estes dentes apresentam uma enorme variabilidade em sua morfologia e posicionamento, o que exige diferentes acessos e técnicas cirúrgicas para abordá-los.

É verdade que, muitas vezes, os dentes do siso são tidos como motivo de preocupação entre algumas pessoas. A maioria delas relaciona a retirada do terceiro molar como algo extremamente doloroso e complicado.

Há, inclusive, muitos mitos em torno do assunto. Pouca gente sabe, por exemplo, que nem todas as pessoas nascem com esse dente e que, em alguns casos, até mesmo aquelas pessoas que o têm não vão precisar extraí-lo.

Pensando nisso, abaixo você confere as principais informações sobre os dentes do siso:

1. Todas as pessoas têm dentes do siso

Mito. Alessandro Silva destaca que este é um mito, pois algumas pessoas podem nascer sem o dente do siso. “E em outros casos o dente pode estar ali, mas isso não quer dizer que ele vá nascer e que vá ocorrer sua erupção”, acrescenta.

2. Todo mundo que tem dente do siso precisa tirá-lo

Mito. O cirurgião buco-maxilo-facial Alessandro Silva explica que a grande maioria dos pacientes não apresenta espaço suficiente para uma adequada erupção destes dentes. “Quando estes elementos conseguem erupcionar, geralmente encontram-se fora de posição ou parcialmente erupcionados. Esta situação leva invariavelmente a um quadro de cárie dental, doença periodontal e infecção”, diz.

Ainda de acordo com o profissional, isso provoca dores bastante fortes, exigindo atendimento profissional para remoção dessas dores. “Assim sendo, nos casos de dentes inclusos ou semi-inclusos, eles devem ser retirados”, explica Alessandro Silva.

“Os dentes do siso que não possuem apoio nos dentes da arcada oposta a ele podem extruir (crescer) e distalizar (afastar dos dentes vizinhos), podendo levar a cáries e problemas periodontais, por facilitar a retenção de alimentos. Esses dentes também devem ser removidos, para evitar um problema maior”, acrescenta o especialista.

Porém, se há espaço para o dente do siso nascer sem prejudicar o alinhamento dos outros dentes, não há necessidade de ele ser extraído.

3. É possível saber antes mesmo do dente do siso nascer se a pessoa vai tê-lo

Verdade. Alessandro Silva destaca que é possível saber antes mesmo de os dentes do siso eclodirem (nascerem) se a pessoa vai ou não tê-los, quantos serão, se causarão algum problema ou se poderão permanecer. “Para isso, o paciente deverá procurar o dentista, onde será encaminhado para realizar exames radiológicos a fim de diagnosticar a presença dos mesmos e suas condições”, diz.

Ainda de acordo com o especialista, é importante que o diagnóstico seja precoce e o estudo da remoção seja feito o quanto antes (quanto mais jovem for o paciente). “A idade ideal para avaliarmos esses dentes é a partir de 16 ou 17 anos, pois o aumento natural da dureza do osso que ocorre com o decorrer da idade e características anatômicas da formação próprias do dente poderão dificultar a remoção do mesmo”, diz.

4. O dente do siso desalinha os demais dentes

Verdade. Alessandro Silva explica que isso acontece porque, se não existe espaço suficiente na boca, o siso vai empurrar os outros dentes, prejudicando a mordida e até mesmo a estética. “Porém, se há espaço para ele nascer sem prejudicar o alinhamento dos outros dentes, não há necessidade de ele ser extraído”, diz.

5. O dente do siso precisa ser retirado na adolescência

Mito. A idade vai depender da forma e da posição dos dentes. “É mais frequente a retirada dos dentes do siso por volta dos 17 anos, quando normalmente estão mais alinhados para essa remoção, mas, realmente, cada caso é um caso”, destaca Alessandro Silva.

O especialista destaca, porém, que não é uma decisão sábia esperar até que o dente do siso comece a incomodar. “Em geral, a remoção mais precoce resulta num processo de cicatrização menos complicado. Pesquisadores nessa área descobriram que pacientes mais adultos estão mais propensos às doenças decorrentes desses dentes, incluindo periodontite (doença da gengiva). As infecções periodontais podem afetar o estado de saúde geral, causando febre, desidratação, prostração e mal-estar geral”, explica Silva.

6. A extração do siso é mais fácil em pacientes jovens

Verdade. Alessandro Silva explica que os sisos são mais fáceis de serem removidos quando o paciente é mais jovem, “uma vez que as suas raízes não estão totalmente formadas, o tecido ao redor do dente é mais macio e existe menor chance de causar danos aos nervos presentes na área”.

“A remoção dos sisos numa idade mais adulta torna-se mais complexa, principalmente porque as raízes tornaram-se maiores e, muitas vezes, envolvem o nervo grande da mandíbula, e o osso ao redor está bem compacto e mais calcificado”, acrescenta o especialista. Porém, vale ressaltar, isso não significa que a extração não possa ser feita.

7. Antes mesmo de nascer, o dente do siso está sujeito a cáries

Verdade. Mesmo que o siso não tenha nascido, destaca o especialista Silva, a cárie pode sim destruir o dente, pois pode haver inflamação da gengiva com bactérias que vão penetrar. “Nesses casos, o dente do siso pode ser extraído ou pode ser feito um tratamento à base de antibióticos”, diz.

8. Quem extrai um dos dentes do siso precisará extrair os outros

Mito. Alessandro Silva destaca que este é um mito. “A única restrição é para a extração do dente inferior direito antes da extração do superior direito. Mas, quanto ao lado oposto, não há problema”, diz.

“Em alguns casos, o dentista pode achar melhor fazer a remoção dos dois lados de uma vez. Mas isso só acontecerá após um especialista no assunto julgar o caso e avaliar o grau da dificuldade dessa remoção”, acrescenta o cirurgião buco-maxilo-facial.

9. O dente do siso é sempre maior do que os outros dentes do fundo

Mito. Alessandro Silva ressalta que não existe um padrão para o dente do siso. “As características variam de pessoa para pessoa e o dente pode ter diversas raízes, formatos e ser grande ou pequeno”, diz.

10. A pessoa fica com a face inchada depois da extração do siso

Verdade. Alessandro Silva destaca que o inchaço é inevitável. “Ele só vai depender de como estava a posição do dente durante a cirurgia, mas é inevitável em qualquer caso, pois trata-se de um procedimento delicado”, diz.

“Em situações de remoção do osso (osteotomia), a chance de traumatizar o tecido mole é maior e, nesse caso, o pós operatório pode ser ainda mais desconfortável”, acrescenta o especialista.

11. Depois de retirar o dente do siso é preciso fazer repouso

Verdade. A retirada do siso nada mais é do que um procedimento cirúrgico e, por isso, é necessário que o paciente faça repouso por pelo menos três dias, destaca Alessandro Silva. “Após esse período, é recomendável procurar o especialista para saber se pode voltar para a rotina”, diz.

12. A pessoa não deve passar a escova de dente na região operada logo após a cirurgia

Verdade. O cirurgião buco-maxilo-facial Silva explica que a pessoa deve escovar os dentes normalmente, com exceção da região onde foi realizada a cirurgia. “Como foi feito um procedimento delicado, deve haver cautela ao passar a escova por essa região”, diz.