Que tal incluir na sua lista de metas para 2017 ter uma vida mais saudável? Mas não vale apenas deixá-la no papel, como muitas outras promessas de Ano-Novo, é preciso colocá-la em prática, de preferência ainda nos primeiros dias do ano. A começar com o agendamento de uma consulta com um clínico para realizar um check-up completo e ter a real noção dos cuidados a serem tomados no decorrer dos meses seguintes.

“Nessa primeira consulta, o médico vai avaliar os seus antecedentes para avaliar possíveis riscos a determinadas doenças. Os exames solicitados, geralmente, estão focados no histórico pessoal, bem como familiar”, explica Carolina Castro, endocrinologista do Hospital Israelita Albert Einstein. Segundo ela, os check-ups também são baseados na lista das doenças que mais matam.

A primeira delas as cardiovasculares. Cerca de 17,5 milhões de pessoas morrem todos os anos vítimas de doenças como ataques cardíacos e derrames, segundo a Organização Mundial da Saúde. Para evitá-las, como aponta Castro, é preciso atenção redobrada em basicamente quatro aspectos: 

1. Colesterol
Um tipo de gordura presente na corrente sanguínea que desempenha funções essenciais para o funcionamento do organismo, como regeneração de tecidos, produção de hormônios, entre outros. O grande problema está em seu excesso.

O LDL (lipoproteína de baixa densidade) –conhecido como colesterol ruim– são nanomoléculas mais simples que, em grande quantidade no organismo, ficam depositadas nas artérias, formam placas, entopem as veias e causam problemas cardiovasculares. Já o HDL (lipoproteína da alta densidade) –conhecido como o colesterol bom– leva o LDL de volta para o fígado, para o colesterol “ruim” ser excretado.

Por isso, na maioria dos casos, ter uma grande quantidade dele circulando no sangue é algo bom para a saúde do corpo. Mas estudos revelam que nem sempre ter níveis elevados de HDL no organismo protegem a pessoa de desenvolver doenças cardíacas

Vale lembrar ainda que há pesquisas que apontam não só a gordura, mas também o açúcar como os grandes vilões do colesterol. “O conceito de que você precisa de açúcar para viver é propaganda que a indústria do açúcar usou para as pessoas não acharem que poderia ser perigoso consumi-lo. O açúcar não é perigoso por causa das suas calorias, mas porque a bioquímica da molécula é perigosa”, afirma o endocrinopedriatra e pesquisador Robert Lustig, da Universidade da Califórnia (EUA). 

O colesterol desempenha várias funções importantes no organismo. VERDADE: trata-se de um composto vital que participa, por exemplo, da produção de hormônios sexuais, vitamina D e bile, esta última necessária para realizarmos a digestão das gorduras vindas da alimentação. “Ele participa, ainda, da síntese de vitamina E e previne contra perdas excessivas de água por evaporação, o que acarretaria problemas de desidratação e morte”, salienta a nutricionista Vanderli Marchiori, especialista em Nutrição Clínica Funcional. Tipo de lipídio presente em cérebro, nervos, músculos, pele, fígado, intestino e coração, 70% é fabricado naturalmente pelo próprio organismo, no fígado, enquanto os outros 30% vêm da alimentação

2. Diabetes
Ao todo, 415 milhões de adultos viviam com diabetes em 2015. A previsão, segundo a Federação Internacional do Diabetes, é de que esse número chegue a 642 milhões em 2040 – uma proporção de um adulto diabético para cada dez adultos no planeta. 

O desencadeamento do diabetes tipo 1 é geralmente repentino e dramático e pode incluir sintomas como: sede excessiva; rápida perda de peso; fome exagerada; cansaço inexplicável; muita vontade de urinar; má cicatrização; visão embaçada; falta de interesse e de concentração; vômitos e dores estomacais, frequentemente diagnosticados como gripe.

Os mesmos sinais podem ser observados em pessoas com diabetes tipo 2, mas, geralmente, eles se apresentam de forma menos evidente. Em crianças com diabetes tipo 2, os sintomas podem ser moderados ou até mesmo ausentes. 

Ampliar

Não há restrições alimentares para os diabéticos além de evitar o açúcar. MITO: além do açúcar, diabéticos precisam tomar cuidado com o consumo de carboidratos, encontrados em produtos como batatas, massas, pães, tortas e, em especial, os feitos com farinha branca. “Uso uma metáfora: o acúçar é um tijolo; o carboidrato é como uma parede feita de tijolos. O corpo desfaz essa parede para usar os tijolos”, explica o endocrinologista Felipe Gaia. Assim como o açúcar, os carboidratos não estão completamente vetados da dieta, mas devem ser ingeridos com moderação

3. Pressão alta
Silenciosa, a pressão alta é uma doença perigosa e que atinge cerca de 17 milhões de pessoas no país, segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão.

É importante frisar que um dos principais fatores de risco para a hipertensão é a hereditariedade. Quem tem pai ou mãe com a doença tem 30% mais chances de vir a ter pressão alta.  Se os dois genitores têm o mal, esse percentual bate na casa dos 50%.

Ainda assim há muitas outras causas que podem colaborar para o desenvolvimento da doença, como fumar, beber, não praticar atividades físicas, estar acima do peso, se alimentar mal e viver estressado. 

Outro grande vilão, bastante presente no prato do brasileiro, é o sal. Isso porque, por um processo chamado osmose, ele aumenta a retenção de água pelo organismo, o que pode elevar a pressão nas paredes das artérias. Além disso, o sódio contido no sal pode causar o estreitamento dos vasos sanguíneos ao inibir a ação do óxido nítrico, que é uma substância dilatadora. 

4. Obesidade
Obesidade tem uma série de causas, fatores genéticos, ambientais, emocionais. Filhos de pais obesos, por exemplo, têm maior chance de serem obesos na vida adulta. É preciso saber, no entanto, que estar acima do peso não é necessariamente ser obeso

Excesso de peso é quando alguém que tem um IMC (Índice de Massa Corpórea) entre 25 e pouco menos de 30. Obeso é alguém que tem um IMC acima de 30. Para calcular este índice, deve-se dividir o peso (em quilos) pela altura (em metros) ao quadrado. Por exemplo: para uma pessoa com 1,70 m de altura e 70 kg, o IMC é 70/ (1,70 x 1,70) ou seja, 24,2.

Outros cuidados com a saúde

Além dos cuidados redobrados com esses aspectos de sua saúde, a endocrinologista do Hospital Israelita Albert Einstein também diz ser essencial ficar atento ao câncer, segunda doença que mais mata no mundo.

“Portanto, o recomendado é que as mulheres mantenham todos os exames ginecológicos em dia, assim como visitem um dermatologista para cuidar da pele. Aos homens de acima de 40 ano, a consulta a um urologista se faz mais do que necessária”, aponta Castro.

A especialista também sugere uma visita ao oftalmologista, que poderá avaliar os possíveis riscos de glaucoma, a “principal causa de cegueira”.  Procurar um dentista é uma outra sugestão para que você consiga entrar o ano com a boca mais saudável e com tudo em cima.